segunda-feira, 5 de junho de 2017

PEDAGOFILOSOFIA CLÍNICA - Psicanálise pedagógico-filosófica existencial-humanista

I
Fruto de anos de estudos e pesquisas nas áreas da sociologia, psicologia e filosofia da educação, assim como também na EJA (educação de jovens adultos), o livro, um aprofundamento de pesquisa que tem como base a tese de doutorado “Filosofia Antropológica e Educação: um estudo sobre o pensamento de Nietzsche e a cultura”, do mesmo autor, explicita diferentes e importantes temáticas no universo da psicanálise existencial-humanista (pedagofilosofia clínica), e que – enquanto amálgama – se coadunam:
1-   A busca pelo entendimento do homem a partir da perspectiva fenomenológica de Husserl, desenvolvida esta a partir do pensamento Kant (ou neokantismo, cujas bases epistemológicas se encontram na obra crítica da razão pura e outras).
2-    A prática psicanalítica pedagógico-filosófica existencial-humanista, enquanto tratamento psicoterápico, como contraponto, crítica e superação à psicanálise freudiana, isto é, fundamentada epistemologicamente:
A - Nos existencialismos de Kierkegaard, Heidegger, Sartre e outros filósofos existencialistas;
B - No pensamento filosófico ontológico de Nietzsche;
C - E nos procedimentos e/ou recursos didático-metodológicos da educação de jovens e adultos, especialmente naqueles que dizem respeito às relações que envolvem ensino-aprendizagem e o desenvolvimento das consciências críticas de si e de mundo.
II
Ou seja, para a pedagofilosofia clínica (psicanálise pedagógico-filosófica existencial humanista), já que o conhecimento é fenomênico; já que a nossa consciência é doadora de sentido; já que toda consciência é consciência “de”; e já que existe o caráter intencional da consciência, frise-se: não se pode também dizer que existe um inconsciente, nos termos de Freud, que possa ser revelado ao analisado por meio de “associações livres”, “interpretação de sonhos”, etc. O que existem são alienações e/ou ausência do desenvolvimento das consciências críticas de si e de mundo (enquanto geradoras de náusea social, angústia, tristeza profunda, melancolia, inautenticidade, depressão e/ou perda do sentido da existência) que precisam ser superadas.
Em outras palavras, chama-se pedagofilosofia clínica o trabalho psicoterápico e/ou psicanalítico pedagógico-filosófico existencial-humanista através do qual, após uma análise do suposto grau de alienação do paciente-educando em relação a si e ao mundo em que se vive, por meio da problematização (dialética e dialógica) de eventuais problemas existenciais apresentados, traz-se à consciência do mesmo a necessidade da busca pela superação (renovação de si por meio da renovação do entendimento), uma vez que, como dito, não parte-se da ideia de inconsciente no sentido de Freud, mas sim:
1-   De Condicionamentos socioculturais sofridos, nos termos da filosófica antropológica[1];
2-   De Hábitos adquiridos através da cultura e/ou dos processos de socialização[2];
3-    De Alienação, como fruto da ideologia do capital e da socialização por fragmentos[3];
4-   De Omissões, em decorrência de ignorâncias (no sentido de ignorar ou de incompreensão das partes e do todo ao mesmo tempo), por parte do sujeito cognoscente[4], fruto das sociedades tecnicistas e especializadas do capital;
5-   Da Tomada de decisões prejudiciais a si, aos outros e ao mundo em que se vive (biosfera) devido a um profundo desconhecimento de causas e efeitos, nos sentidos macro e micro;
6-      De Ações realizadas por meio de hábitos e/ou costumes, inclusive no que se refere a aspectos éticos e/ou morais;
7-      De Ações realizadas sob a influência das ações alheias;
8-       De Ações realizadas por meio de afetos ou sentimentos;
9-      De Ações realizadas por meio de crenças, convicções e/ou valores como se fossem estes ou estas absolutas verdades;
10-   De Ações realizadas por meio da satisfação de vontades como se elas fossem o mesmo que necessidades.
III
 Entretanto, vale ressaltar, a pedagofilosofia clínica não é composta apenas deste trabalho: compõe o seu universo e/ou eixo temático direto e indireto também muitos outros estudos e/ou pesquisas que culminaram em livros, alguns deles inclusive tendo sido traduzidos para outros idiomas, a saber:
1-   Pedagofilosofia: ética e estética da educação;
2-   Inteligência Transcendental;
3-   Aprender a aprender;
4-   Saber é poder: o básico que você precisa saber para não ser um alienado;
5-   Dez lições sobre derrotas e vitórias;
6-   A indústria da felicidade;
7-   Por que os pobres morrem pobres?
8-   Quem só trabalha não tem tempo para ganhar dinheiro;
9-   Segredos da prosperidade;
10-               Criando prosperidade;
11-               Segredos da superação;
12-               Ser tudo o que se pode ser;
13-               As três transformações do espírito;
14-               O leão e a gazela: dialética do esclarecimento;
15-               Filosofia antropológica e educação: um estudo sobre o pensamento de Nietzsche e a cultura (tese de doutorado);
16-               Capitalismo, apologia da “vita activa” e dano existencial (dissertação de mestrado);
17-               Quem disse que os ricos não entrarão no céu?
18-               O que é aprender, ensinar e avaliar: teorias do conhecimento e da educação;
19-               Egocentrismo infantil na fase adulta;
20-               Sociedade corrompida: transgressão e arte racional da dissimulação;
21-               A sociedade dos ricos sem dinheiro;
E muitos outros.
IV
Palavras-chave: fenomenologia, Husserl, psicanálise, Kant, existencialismo, Kierkegaard, Heidegger, Sartre, clínica, Pedagogia, filosofia, pedagofilosofia, psicoterapia, psicologia, condição humana, Hannah Arendt, Nietzsche, EJA, alma.







[1] Filosofia Antropológica e Educação: um estudo sobre o pensamento de Nietzsche e a Cultura (tese de doutorado de Cleberson Eduardo da Costa).
[2] Idem.
[3] Levine, Donald.
[4] Ibidem.

FILOSOFIA DA LOUCURA

I
Quando se fala do homem em termos da formação estrutural da sua personalidade clínica ou psicopatológica (psicose, neurose e perversão), dados os relevantes estudos da antropologia, em especial a filosófica, descobre-se que:
1-   Qualquer cultura, em síntese, é apenas uma das muitas ou diferentes lentes através da qual determinado indivíduo vê e se relaciona com mundo;
2-   As diferentes culturas são apenas diferentes opiniões ou visões de mundo, corporificadas em modos diferentes de ser, de ver, de sentir, de dizer, de pensar e de existir;
3-   As diferentes culturas trazem em si as suas mais radicais, absurdas ou ditas inconcebíveis ideias de verdade ou normalidade quando comparadas e/ou confrontadas umas às outras.
II
A tentativa de uma globalização cultural, ou padronização de normas, valores e costumes, aos moldes da econômica, fracassou ou não tem tido o mesmo êxito. Ou seja, vemos um mundo hoje (no que se refere ao tratamento desumano dado aqueles que, fugindo de guerras civis etc. buscam auxílios em territórios estrangeiros) de regresso a nacionalismos e a formas xenófobas de existir e lidar com os diferentes e/ou as diferenças.
Nesse sentido, frise-se: a questão entre “psicopatologia versus normalidade” hoje não é e/ou não tem sido apenas de grau, como pensaram Freud e Lacan, mas também cultural, ética e/ou de valores.
Ou seja, indivíduos pertencentes a uma determinada cultura ou grupo, dado o caráter etnocêntrico e xenófobo das culturas, podem considerar loucos ou psicopatológicos os de outros se comparados a si.
Pense-se, por exemplo, no caso das brigas entre torcidas; nas guerras fundamentadas em diferentes concepções político-econômicas, morais ou religiosas; nos diferentes tipos de apartheids; nas diferentes formas de xenofobia; nos diferentes modos de desrespeito às diferenças; nas diferentes formas de se perceber ou encarar a vida de indivíduos que vivem em nichos culturais e socioeconômicos diferentes; nas formas machistas de muitos homens no mundo tratarem as mulheres; nas diferentes formas, às vezes deturpadas, de algumas mulheres viverem ou praticarem o que chamam de feminismo, etc.
Hoje, alvorecer do século XXI, pode-se dizer que o que (na maioria das vezes) tem acarretado desestrutura nas personalidades ou psicopatologias, muito além dos fatores ditos genéticos ou orgânicos, são aqueles oriundos:
1-   De choques culturais;
2-   De extremas desigualdades socioeconômicas;
3-   De competições e/ou comparações hierarquizadas entre indivíduos diferentes;
4-   De ideologias que pregam a meritocracia e o individualismo;
5-   De xenofobias ou de desrespeitos às diferenças e/ou aos diferentes;
6-   De ideias radicais ou ortodoxas que migram para a psique dos indivíduos como se fossem deles, possuindo-os, dando-os todavia a ilusão de serem os possuidores delas e/ou de estarem hiperconscientes, etc.
III
Nesse trabalho, sendo assim, falar-se-á sobre as diferentes estruturas clínicas ou psicopatológicas da personalidade (psicose, neurose e perversão), fundamentadas estas nas ideias de Freud[1] e Jaques Lacan[2]. Na mesma via, sob a égide de axiomas da fenomenologia e das filosofias antropológica e existencial-humanista, esboçar-se-ão visões críticas às ideias tecnicistas e/ou organicistas (homem-máquina) há tempos pré-concebidas e/ou difundidas como parâmetro de normalidade.
O autor




[1] Idem à nota 2.
[2] NASIO, J.D. Introdução às obras de Freud, Ferenczi, Groddeck, Klein, Winnicott, Dolto, Lacan. Rio de Janeiro: Jorger Zahar Ed., 1995.

QUEM DISSE QUE OS RICOS NÃO ENTRARÃO NO CÉU: O básico que você precisa saber para ser um incluído social

Crer não é pensar, e agir por meio de crenças não é agir racionalmente. Isto é, em pleno alvorecer do séc. XXI, em meio a tantos disparates, violências, intolerâncias e injustiças, ainda precisamos reafirmar a complexidade do óbvio: crenças são dogmas e, dogmas, por sua vez, embora muitos não saibam, são o mesmo que regras alienadas de ação.
Existem hoje nas sociedades capitalistas ocidentais pós-modernas variadas formas de alienação e, uma delas, certamente a mais crucial, é aquela que está dada entre a população de ditos pobres e/ou indivíduos de classe média baixa, uma vez que, sedimentada em mitos ou formas dogmáticas de pensar, sentir e agir, fazem com que os mesmos coloquem-se, além de quase sempre na condição de reféns ou fantoches do sistema capitalista, também como incapazes de superem as suas exclusões.
Esse livro, embora possa parecer a alguns, não é contrário à ideia de que o sistema capitalista é um fabricante diuturno e sistemático da exclusão social. Todavia, mais preocupado em trazer soluções do que propriamente tecer críticas ao mesmo, defende a ideia de que, além da exclusão externa (provocada pelo capitalismo), existe outra que é interna, ou seja, frise-se: diretamente causada e perpetuada em muitos por nutrirem estes formas dogmáticas ou alienadas de pensar, agir e sentir em relação à pobreza e a riqueza.
Esse livro, nesse sentido, entre outras coisas, se propõe a, além de quebrar paradigmas e/ou dogmas:
1- Mudar radicalmente a nossa forma de pensar e/ou encarar os sentidos que até hoje têm sido dados à pobre e a riqueza;
2- Dar-nos condições intelectuais epistemologicamente fundamentadas para podermos não somente resistir aos processos de exclusão social, mas também conquistarmos um lugar ao sol.
Para nós, a cidadania plena é e deverá ser sempre um direito.
Esse direito, todavia, em sociedades capitalistas como a que se vive, não é e nem nunca será uma dádiva, ou seja, para ter real sentido, ele precisa e precisará sempre ser também encarado como fruto de uma conquista.
O autor

segunda-feira, 29 de maio de 2017

PSICANÁLISE DA MULHER PÓS-MODERNA - Crônicas, contos, ensaios & poemas

I
É fato que não somente os homens ditos tradicionais, mas também a sociedade patriarcal como um todo, incluindo-se aí muitas mulheres de cultura judaico-cristã, têm demonstrado certo desconforto, ojeriza, náusea e, na mesma via, criado resistências aos novos valores defendidos, vividos e compartilhados pelas mulheres ditas pós-modernas ou feministas.
Alguns e algumas, por exemplo, as tem chamado de loucas, psicóticas, neuróticas, pervertidas e  ateias; outros de vadias, libertinas, promíscuas, poligâmicas, etc.
A pergunta é:
As mulheres ditas pós-modernas e/ou feministas têm buscado romper com os valores da chamada sociedade patriarcal porque são libertinas, estão ficando loucas ou sendo possuídas por ideologias diabólicas e ateístas como muitos indivíduos de cultura judaico-cristã ou tradicional têm ainda hoje dito e/ou pregado?
II
A temática, como se pode perceber, é complexa. Todavia, pode-se com propriedade afirmar que o novo modo de vida (e valores) das mulheres ditas pós-modernas ou feministas não se trata (nem de longe) de um problema psicopatológico, e muito menos espiritual, etc., mas sim de natureza ético-comportamental, porque substanciado na busca por uma mudança de paradigma sociopolítico. Ou seja, substanciado na busca por uma maneira mais livre, igualitária ou considerada mais justa de existir, já que o homo sapiens, segundo pensam as mesmas, diferentemente de todos os outros seres, não está preso, como também preconizaram Hannah Arendt, Sartre e tantos outros pensadores contemporâneos, em uma natureza ou forma pré-determinista de ser ou viver, mas sim em uma condição humana.
Em outras palavras, hoje, alvorecer do séc. XXI, tempo dito global, de novos paradigmas, de obsolescência programada, de constante reflexibilização da economia, e consequentemente de rupturas com a cultura catequizadora ou dita civilizadora ocidental, etc., é preciso reconhecer que tem coexistido e que ainda por muito tempo continuará a coexistir, na maioria das vezes de forma conflituosa, dois diferentes tipos de mulheres: as ditas tradicionais; e as ditas pós-modernas ou feministas.
III
Quais são, pergunta-se, além daquelas que já tem circundado no senso comum, as principais diferenças existentes entre elas?  Pode-se dizer que são muitas. Mas que, resumidamente:
1-        A mulher tradicional, como muitos sabem, é aquela, criada à imagem e semelhança da mãe, que, além de quase assexuada e sem desejo próprio, é vista e/ou coloca-se como santa, imaculada. Isto é, como aquela que, ao “padecer no paraíso”, não goza à vida (em todos os sentidos) porque sobrevive para realizar os prazeres ou desejos dos outros, incluindo-se aí os do dito marido e dos filhos, etc., uma vez que o seu destino era /ou é visto como sendo o de casar e procriar.
2-        A mulher pós-moderna, ao contrário da tradicional, é a dita anti “status quo”, é a dita “anti santa”, é a mulher que, entre outras coisas, contrariando em muitos aspectos os valores da sociedade patriarcal, busca também viver e sentir prazer. Ela pode até ser mãe e dona de casa se quiser, mas isso está longe de ser uma obrigação ou imposição cultural. Ela é aquela que assume-se como dona do seu corpo e do seu tempo. Ela é aquela que faz ginástica para melhorar a saúde e se sentir mais bonita. Ela é aquela que está disposta também a fazer plástica se julgar necessário. Ela é aquela que busca ocupar, além do lar, outros espaços, principalmente os ditos profissionais, por meio da dedicação aos estudos, etc. Ela é aquela que, sob a filosofia do amor livre, a fim de não engravidar e/ou controlar a gravidez, faz uso da pílula anticoncepcional, da masturbação e de muitas outras práticas ditas não convencionais. Todavia, por mais paradoxal que possa parecer, ela é também aquela que ainda busca e/ou sonha encontrar a sua alma gêmea. No campo das conquistas, por exemplo, ela não espera mais ser escolhida: ela é capaz de tomar a iniciativa em relação à busca do par afetivo e/ou sexual desejado.
IV
O livro, um amálgama de crônicas, contos, poemas e ensaios, epistemologicamente fundamentado, aborda a temática da mulher dita pós-moderna ou feminista, mas sob a égide de diversos olhares. Ou seja:
1-   Questiona os valores da sociedade patriarcal, assim como também às ideias tradicionais de loucura contidas nas obras de Freud e Lacan que muitas vezes têm sido utilizadas para classificá-las, confrontando as mesmas com a psicanálise existencial ou teoria filosófica existencial-humanista. E, ao mesmo tempo:
2-   Defende (de forma epistemologicamente fundamentada) a ideia de que, por estarmos, enquanto espécie, imersos numa condição humana (muito além da ideia de natureza humana), é preciso que se respeite e dialogue com novas formas de existência que diminuam e/ou buscam dinamitar injustiças, violências ou desigualdades (especialmente em relação às mulheres).
V
Espera-se que essa obra possa ser útil à formação de uma geração de homens e mulheres mais iguais, mais livres e felizes, porque também mais conscientes da necessidade de cultivarem o respeito e a tolerância em relação às suas diferentes formas de ser e/ou existir.
O autor

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

NIETZSCHE - CRIAR É SE SUPERAR


Não tenho aqui a pretensão de elucidar e nem tampouco querer explicar Nietzsche (1844-1900 – filósofo alemão), uma vez que, penso que, o mesmo, por tão complexo e hermético que é, não pode ser traduzido. Penso mais: que todo aquele que tem a pretensão de traduzir Nietzsche corre também o risco de traí-lo.
Objetiva-se aqui apenas fomentar o diálogo e a problematização acerca de questões que, a meu ver, tem sido mal colocadas e/ou desvirtuadas por parte de alguns ditos filósofos pós-modernos a respeito dos principais axiomas de Nietzsche.
I - Nietzsche, embora não saibam muitos, critica a moral judaico-cristã e também os auspícios da ciência no que se refere à busca desta pela verdade. Todavia, sua crítica, em nenhum momento, o coloca na condição daquele que faz apologia às imoralidades, às libertinagens e/ou a criação de novos dogmas para serem postos como ditas verdades.

II - Sua obra o "Anticristo" não se trata de uma apologia ao ateísmo, mas de uma visão sobre o que fizeram de Deus e também de uma configuração sobre o niilismo provocado pelo Antropocentrismo ao Teocentrismo com o surgimento da era moderna. Nietzsche, por exemplo, diz-nos: "(...) eu somente creria num Deus que soubesse dançar..." 

III - Vontade de potência, em Nietzsche, diz respeito à importância da busca do homem pela sua superação enquanto ser humano, ou seja, diz respeito ao alcance da plenitude de sua humanidade. E ele nos diz: "o homem é uma ponte e não um fim... o homem é uma ponte que vai do animal para além dele mesmo... e é perigosa essa travessia..." 

IV - Ser "humano, demasiado humano", para Nietzsche, não é um Ser se tornar escravo dos seus próprios maus e/ou supostamente auto ditos bons instintos; não é se tornar escravo do seu próprio corpo, dos seus desejos, ainda que se julgando, nesse tortuoso caminho, estar seguindo em oposição férrea às ideias e/ou aos ditos ideais Platônicos. Ser “humano, demasiado humano”, para Nietzsche, frise-se: é apenas pôr-se a exercitar-se como artista, isto é, é buscar ser capaz de criar e recriar novas formas possíveis de existência. Para Nietzsche, voltar-se para a arte, para o “que fazer artístico”, para a criação de novos sentidos para a vida, já é questionar e/ou revolucionar todas as formas antigas ou modernas estabelecidas de ditas verdades.

V - Nietzsche diz-nos mais: "se criar é ultrapassar-se, a criatura deve sempre buscar ultrapassar ou prevalecer sobre o seu criador." 

VI - Para Nietzsche, todo aquele que cria valores novos, inevitavelmente destrói e/ou questiona aqueles que, anteriormente, tinham sidos criados. Entretanto, o super-homem defendido por Nietzsche não deve ser entendido como um corruptor, mas apenas como um criador de novos sentidos, de metáforas, e não como um suposto legislador de novas ditas verdades.
VII - Nietzsche, em vários dos seus escritos, fala-nos, por exemplo, da necessidade da existência de três transformações no espírito e, sob as quais, deve ou deveria passar o Ser humano, a saber:
1- o camelo;
2- o leão;
3- a criança.
Numa espécie de metáfora por Nietzsche criada, o camelo, com um número excelso de cargas sobre as costas, está representado pelos homens de cultura judaico-cristã que, sob a forma de dogmas e/ou verdades ditas eternas e imutáveis, carregam-nas e as propagam enquanto verdades eternas e/ou valores ditos absolutos.
O leão, para Nietzsche, está representado pelos homens da era moderna e/ou agora pós-moderna que, motivados pelas ideias antropocêntricas, ao mesmo tempo em que negam e esforçam-se para destruir as ditas verdades judaico-cristãs, colocam em seu lugar, também na condição de dogmas, de cientificismo, valores e/ou saberes ditos científicos.
A criança no espírito, para Nietzsche, é colocada "como um começar de novo; como uma roda rodando por si mesma; como um dizer não diante do que impede o homem de tomar sobre si a sua humanidade", que é entendido como o desenvolvimento, em si, das capacidades de questionar, de dialogar e de criar novos sentidos e valores.
Criar novos sentidos e valores, para Nietzsche, como erroneamente talvez possam pensar muitos, não diz respeito a "inventar ditas novas pessoais e/ou subjetivas verdades" e, na mesma via, se tornar escravo delas, como fazem as pessoas que possuem Camelos e/ou Leões em seus espíritos.
VIII - Para aqueles que acham que Nietzsche pregou ou prega a imoralidade, a amoralidade, a promiscuidade, a poligamia e a libertinagem, enganam-se: ele, Nietzsche, num dos seus escritos, diz-nos:
"se teus cães selvagens estão prontos, loucos para saírem de dentro de ti, querendo ladrar... é porque ainda não conheces de fato o que é o super homem..."
Em seguida, ele complementa-nos dizendo:
"não vos aconselho que mateis os sentidos, mas que haja inocência em vossos sentidos."
Em Nietzsche, procurar estar "além do bem e do mal" não é o mesmo que viver e/ou praticar atos "além do bom e do mau". Não confunda-se, por exemplo, a problematização de valores, sentidos e verdades em Nietzsche com a apologia à prática daquilo que, em qualquer sociedade, é sistematizado e/ou colocado pelos seres sociais como sendo dito atos de maldade ou crueldade. 
Isto é, Nietzsche, em nome da sua filosofia, não se tornou assassino, ladrão, pedófilo, mal-caráter, leviano, libertino, devasso, corrupto, etc., ou seja, um criminoso, uma escória humana, um mequetrefe ou uma aberração qualquer.
É fato que muitos críticos conservadores chamaram Nietzsche de louco. Para estes, Nietzsche, todavia, “humano, demasiado humano” que sempre procurou ser, apenas respondia-lhes:

"(...) O que dizem em mim ser  loucura, chamo-a apenas de saúde interior..."

domingo, 26 de fevereiro de 2017

A MÁFIA POLÍTICA NO BRASIL - Corrupção, Peculato, Lavagem de Dinheiro e Mortes nunca ou sempre mal esclarecidas.



I
Diz-se, há tempos, que existe crime organizado no Brasil. Concorda-se, é óbvio, porém em outro sentido: pensa-se sim que existe crime organizado em nosso país, mas que ele não está, em seu pleno potencial lesivo à sociedade e aos cidadãos de bem, como muitos acreditam, nas favelas, nos morros, nos guetos, nos presídios e nem tampouco em qualquer bairro de periferia onde bandidos das mais diferentes facções comandam tráficos de drogas, roubos, etc., e sim no meio político.
Explica-se: traficantes ou bandidos, quase sempre todos excluídos sociais ou destituídos de capital-cultural e/ou saber-poder; quase sempre todos à margem da vida social, ainda que aspirem, ainda que sejam usados por gente graúda para a lavagem de dinheiro e etc., não possuem condições de organização criminosa:
1-   Ao nível dos cartéis políticos;
2-   Ao nível dos mafiosos políticos;
3-   Ao nível daqueles que têm – além dos poderes econômico e financeiro – também o poder das forças de inteligência e coerção do Estado em suas mãos.
Em outras palavras, a política no Brasil, como historicamente e ainda hoje nos tem demonstrado os inúmeros casos de corrupção e mortes nunca ou mal esclarecidos, com raras exceções, sem sombra de dúvidas:
1-   É o único e real crime organizado que existe;
2-   É a verdadeira máfia que, há séculos – em nome da preservação de um status quo burguês – atua no Brasil.
Em nome da política, isto é, por meio de políticos mafiosos (que são quase todos em nosso país), por exemplo, manda-se matar ou prender; destruir ou refazer; retirar do poder ou reeleger sem a interveniência e/ou com a conveniência de qualquer outro dito poder.
Nenhum poder, não somente no Brasil, uma vez que o mesmo está e historicamente sempre esteve atrelado ao poder econômico – embora possa haver quem pense diferente – é superior ao poder da máfia política.
Isto é, não existe nada de mais nefasto a qualquer sociedade do que o poder político quando este é exercido, como quase sempre tem sido, por e/ou em nome das “flores do mal e/ou dos chamados bandidos do colarinho branco”.
Nietzsche (1844-1900) estava certo quando, numa crítica feroz à política alemã do séc. XIX, visando-nos alertar sobre a essência da classe política, escreveu:

"Um político divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos". (Friedrich Nietzsche)


II
Perdemos, nos últimos dias, como se sabe, através de um dito “acidente” de avião, o renomado Ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavaschi, relator da Operação Lava-Jato.
Teori – especula-se que tenha sido este o motivo de sua morte – tinha sob sua responsabilidade a análise de uma gama incomensurável de provas contra políticos corruptos de vários partidos políticos (conseguidas as mesmas através de delações premidas de executivos de grandes empresas envolvidos em propinas nos governos FHC, LULA e DILMA). Muitos desses mesmos políticos investigados e réus na Operação Lava-jato são hoje ministros no governo TEMER.
O fato é que se, como dizia Hegel (o chamado filósofo do saber absoluto), a verdade é histórica, ou seja, se constrói dialeticamente no tempo, pode-se também com propriedade dizer que a morte de Teori – assim como as de Getúlio Vargas (dita suicídio), Juscelino Kubitschek (dita acidente de carro), PC Farias (dita suicídio), Ulysses Guimarães (dita acidente de avião), Lucas Gomes Arcanjo, o policial que denunciou Aécio Neves por narcotráfico em Minas Gerais (dita suicídio), Eduardo Campos (dita acidente de avião) e tantas outras no meio político – provavelmente nunca será devidamente esclarecida.
E isso devido a vários fatores, dois deles, obviamente, relacionados à existência do temor que hoje se tem em relação à máfia política, a saber:
1 – A imprensa, principalmente as grandes, por meio dos seus principais jornais, embora sejam grandes as evidências de crime político, temendo represálias, tentam a todo custo não falar de maneira substancial sobre o caso. Os apresentadores dos seus respectivos telejornais, temerosos de que algo parecido possa acontecer com eles ou com membros das suas famílias, se limitam a falar apenas em “acidente” e nada mais;
2 – Os juízes, não somente do supremo, diante da impotência perante a máfia política brasileira, assim como os demais órgãos de justiça e investigação, veem-se, mesmo tentando demonstrar à opinião pública o contrário, em estado de coerção, ou seja, atemorizados e, na mesma via, receosos de que algo da mesma natureza também possa vir a acorrer-lhes.
Em outras palavras, a máfia política Brasileira, com a dita “morte acidental” de Teori Zavaschi, ao que nos parece, sente-se hoje forte, soberana e acima de qualquer outro poder: mostra-se como aquela que Deu a reposta a todos àqueles que pensavam e ainda pensam em levar a chamada operação lava-jato até o fim.
Se você tem dúvidas, pense no tenebroso fato de que, dias após o enterro do magistrado, o presidente Michel Temer, sob pressão da máfia política a qual faz parte, aproveitando-se da fraqueza do STF, nomeou Moreira Franco, mais um investigado na operação Lava-jato, como ministro, dando-lhe o chamado foro privilegiado.
III
Outro fato que merece a nossa reflexão é a chamada crise financeira pela qual vem sendo dito há meses estar passando o Estado do Rio de Janeiro, solicitando ajuda ao governo federal.
Na verdade, o que talvez poucos saibam, é que a máfia política é capitalista, isto é, só inventa doenças as quais já diz ter o remédio para a cura.
O que se quer dizer é que, como nos mostra a história das privatizações, não somente no Brasil, não existe nem nunca existiu crise no governo do Estado do Rio de Janeiro: não no tamanho daquela alardeada pelas mídias prostitutas. O que existiu foi corrupção, como ainda continua havendo.
A dita crise do Rio de Janeiro foi inventada, exclusivamente, por meio de atrasos nos pagamentos dos servidores, e também por meio do não repasse de verbas para a saúde e a educação, visando-se, assim, única e exclusivamente, colocar o povo a favor da privatização da CEDAE, empresa estadual de fornecimento de água, e que, como se sabe – em meio aos problemas hídricos e energéticos pelos quais vem passando o mundo – vale tanto quanto a PETROBRAS. Ou seja, água e petróleo são tidos hoje como ouros mundiais. Vários grupos de empresários brasileiros e estrangeiros estão há tempos de olho nessas estatais.
Enfim, voltando-se ao caso Teori, a máfia política, em pleno alvorecer do séc. XXI, mesmo em face da atenção da opinião pública global, desde o estouro dos casos de corrupção e da questionada e dita antidemocrática assunção à presidência de Michel Temer em lugar de Dilma Rousseff, sem qualquer aparente temor:
1-   Colocou, como mais uma das tantas vezes na história da política brasileira, as asas de fora. Isto é:

2-   Mostrou ao mundo as atrocidades de que é capaz e de que, como não deixa mentir a própria história, ao que também se subentende, orgulha-se de ser.