segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

NIETZSCHE - CRIAR É SE SUPERAR


Não tenho aqui a pretensão de elucidar e nem tampouco querer explicar Nietzsche (1844-1900 – filósofo alemão), uma vez que, penso que, o mesmo, por tão complexo e hermético que é, não pode ser traduzido. Penso mais: que todo aquele que tem a pretensão de traduzir Nietzsche corre também o risco de traí-lo.
Objetiva-se aqui apenas fomentar o diálogo e a problematização acerca de questões que, a meu ver, tem sido mal colocadas e/ou desvirtuadas por parte de alguns ditos filósofos pós-modernos a respeito dos principais axiomas de Nietzsche.
I - Nietzsche, embora não saibam muitos, critica a moral judaico-cristã e também os auspícios da ciência no que se refere à busca desta pela verdade. Todavia, sua crítica, em nenhum momento, o coloca na condição daquele que faz apologia às imoralidades, às libertinagens e/ou a criação de novos dogmas para serem postos como ditas verdades.

II - Sua obra o "Anticristo" não se trata de uma apologia ao ateísmo, mas de uma visão sobre o que fizeram de Deus e também de uma configuração sobre o niilismo provocado pelo Antropocentrismo ao Teocentrismo com o surgimento da era moderna. Nietzsche, por exemplo, diz-nos: "(...) eu somente creria num Deus que soubesse dançar..." 

III - Vontade de potência, em Nietzsche, diz respeito à importância da busca do homem pela sua superação enquanto ser humano, ou seja, diz respeito ao alcance da plenitude de sua humanidade. E ele nos diz: "o homem é uma ponte e não um fim... o homem é uma ponte que vai do animal para além dele mesmo... e é perigosa essa travessia..." 

IV - Ser "humano, demasiado humano", para Nietzsche, não é um Ser se tornar escravo dos seus próprios maus e/ou supostamente auto ditos bons instintos; não é se tornar escravo do seu próprio corpo, dos seus desejos, ainda que se julgando, nesse tortuoso caminho, estar seguindo em oposição férrea às ideias e/ou aos ditos ideais Platônicos. Ser “humano, demasiado humano”, para Nietzsche, frise-se: é apenas pôr-se a exercitar-se como artista, isto é, é buscar ser capaz de criar e recriar novas formas possíveis de existência. Para Nietzsche, voltar-se para a arte, para o “que fazer artístico”, para a criação de novos sentidos para a vida, já é questionar e/ou revolucionar todas as formas antigas ou modernas estabelecidas de ditas verdades.

V - Nietzsche diz-nos mais: "se criar é ultrapassar-se, a criatura deve sempre buscar ultrapassar ou prevalecer sobre o seu criador." 

VI - Para Nietzsche, todo aquele que cria valores novos, inevitavelmente destrói e/ou questiona aqueles que, anteriormente, tinham sidos criados. Entretanto, o super-homem defendido por Nietzsche não deve ser entendido como um corruptor, mas apenas como um criador de novos sentidos, de metáforas, e não como um suposto legislador de novas ditas verdades.
VII - Nietzsche, em vários dos seus escritos, fala-nos, por exemplo, da necessidade da existência de três transformações no espírito e, sob as quais, deve ou deveria passar o Ser humano, a saber:
1- o camelo;
2- o leão;
3- a criança.
Numa espécie de metáfora por Nietzsche criada, o camelo, com um número excelso de cargas sobre as costas, está representado pelos homens de cultura judaico-cristã que, sob a forma de dogmas e/ou verdades ditas eternas e imutáveis, carregam-nas e as propagam enquanto verdades eternas e/ou valores ditos absolutos.
O leão, para Nietzsche, está representado pelos homens da era moderna e/ou agora pós-moderna que, motivados pelas ideias antropocêntricas, ao mesmo tempo em que negam e esforçam-se para destruir as ditas verdades judaico-cristãs, colocam em seu lugar, também na condição de dogmas, de cientificismo, valores e/ou saberes ditos científicos.
A criança no espírito, para Nietzsche, é colocada "como um começar de novo; como uma roda rodando por si mesma; como um dizer não diante do que impede o homem de tomar sobre si a sua humanidade", que é entendido como o desenvolvimento, em si, das capacidades de questionar, de dialogar e de criar novos sentidos e valores.
Criar novos sentidos e valores, para Nietzsche, como erroneamente talvez possam pensar muitos, não diz respeito a "inventar ditas novas pessoais e/ou subjetivas verdades" e, na mesma via, se tornar escravo delas, como fazem as pessoas que possuem Camelos e/ou Leões em seus espíritos.
VIII - Para aqueles que acham que Nietzsche pregou ou prega a imoralidade, a amoralidade, a promiscuidade, a poligamia e a libertinagem, enganam-se: ele, Nietzsche, num dos seus escritos, diz-nos:
"se teus cães selvagens estão prontos, loucos para saírem de dentro de ti, querendo ladrar... é porque ainda não conheces de fato o que é o super homem..."
Em seguida, ele complementa-nos dizendo:
"não vos aconselho que mateis os sentidos, mas que haja inocência em vossos sentidos."
Em Nietzsche, procurar estar "além do bem e do mal" não é o mesmo que viver e/ou praticar atos "além do bom e do mau". Não confunda-se, por exemplo, a problematização de valores, sentidos e verdades em Nietzsche com a apologia à prática daquilo que, em qualquer sociedade, é sistematizado e/ou colocado pelos seres sociais como sendo dito atos de maldade ou crueldade. 
Isto é, Nietzsche, em nome da sua filosofia, não se tornou assassino, ladrão, pedófilo, mal-caráter, leviano, libertino, devasso, corrupto, etc., ou seja, um criminoso, uma escória humana, um mequetrefe ou uma aberração qualquer.
É fato que muitos críticos conservadores chamaram Nietzsche de louco. Para estes, Nietzsche, todavia, “humano, demasiado humano” que sempre procurou ser, apenas respondia-lhes:

"(...) O que dizem em mim ser  loucura, chamo-a apenas de saúde interior..."

domingo, 26 de fevereiro de 2017

A MÁFIA POLÍTICA NO BRASIL - Corrupção, Peculato, Lavagem de Dinheiro e Mortes nunca ou sempre mal esclarecidas.



I
Diz-se, há tempos, que existe crime organizado no Brasil. Concorda-se, é óbvio, porém em outro sentido: pensa-se sim que existe crime organizado em nosso país, mas que ele não está, em seu pleno potencial lesivo à sociedade e aos cidadãos de bem, como muitos acreditam, nas favelas, nos morros, nos guetos, nos presídios e nem tampouco em qualquer bairro de periferia onde bandidos das mais diferentes facções comandam tráficos de drogas, roubos, etc., e sim no meio político.
Explica-se: traficantes ou bandidos, quase sempre todos excluídos sociais ou destituídos de capital-cultural e/ou saber-poder; quase sempre todos à margem da vida social, ainda que aspirem, ainda que sejam usados por gente graúda para a lavagem de dinheiro e etc., não possuem condições de organização criminosa:
1-   Ao nível dos cartéis políticos;
2-   Ao nível dos mafiosos políticos;
3-   Ao nível daqueles que têm – além dos poderes econômico e financeiro – também o poder das forças de inteligência e coerção do Estado em suas mãos.
Em outras palavras, a política no Brasil, como historicamente e ainda hoje nos tem demonstrado os inúmeros casos de corrupção e mortes nunca ou mal esclarecidos, com raras exceções, sem sombra de dúvidas:
1-   É o único e real crime organizado que existe;
2-   É a verdadeira máfia que, há séculos – em nome da preservação de um status quo burguês – atua no Brasil.
Em nome da política, isto é, por meio de políticos mafiosos (que são quase todos em nosso país), por exemplo, manda-se matar ou prender; destruir ou refazer; retirar do poder ou reeleger sem a interveniência e/ou com a conveniência de qualquer outro dito poder.
Nenhum poder, não somente no Brasil, uma vez que o mesmo está e historicamente sempre esteve atrelado ao poder econômico – embora possa haver quem pense diferente – é superior ao poder da máfia política.
Isto é, não existe nada de mais nefasto a qualquer sociedade do que o poder político quando este é exercido, como quase sempre tem sido, por e/ou em nome das “flores do mal e/ou dos chamados bandidos do colarinho branco”.
Nietzsche (1844-1900) estava certo quando, numa crítica feroz à política alemã do séc. XIX, visando-nos alertar sobre a essência da classe política, escreveu:

"Um político divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos". (Friedrich Nietzsche)


II
Perdemos, nos últimos dias, como se sabe, através de um dito “acidente” de avião, o renomado Ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavaschi, relator da Operação Lava-Jato.
Teori – especula-se que tenha sido este o motivo de sua morte – tinha sob sua responsabilidade a análise de uma gama incomensurável de provas contra políticos corruptos de vários partidos políticos (conseguidas as mesmas através de delações premidas de executivos de grandes empresas envolvidos em propinas nos governos FHC, LULA e DILMA). Muitos desses mesmos políticos investigados e réus na Operação Lava-jato são hoje ministros no governo TEMER.
O fato é que se, como dizia Hegel (o chamado filósofo do saber absoluto), a verdade é histórica, ou seja, se constrói dialeticamente no tempo, pode-se também com propriedade dizer que a morte de Teori – assim como as de Getúlio Vargas (dita suicídio), Juscelino Kubitschek (dita acidente de carro), PC Farias (dita suicídio), Ulysses Guimarães (dita acidente de avião), Lucas Gomes Arcanjo, o policial que denunciou Aécio Neves por narcotráfico em Minas Gerais (dita suicídio), Eduardo Campos (dita acidente de avião) e tantas outras no meio político – provavelmente nunca será devidamente esclarecida.
E isso devido a vários fatores, dois deles, obviamente, relacionados à existência do temor que hoje se tem em relação à máfia política, a saber:
1 – A imprensa, principalmente as grandes, por meio dos seus principais jornais, embora sejam grandes as evidências de crime político, temendo represálias, tentam a todo custo não falar de maneira substancial sobre o caso. Os apresentadores dos seus respectivos telejornais, temerosos de que algo parecido possa acontecer com eles ou com membros das suas famílias, se limitam a falar apenas em “acidente” e nada mais;
2 – Os juízes, não somente do supremo, diante da impotência perante a máfia política brasileira, assim como os demais órgãos de justiça e investigação, veem-se, mesmo tentando demonstrar à opinião pública o contrário, em estado de coerção, ou seja, atemorizados e, na mesma via, receosos de que algo da mesma natureza também possa vir a acorrer-lhes.
Em outras palavras, a máfia política Brasileira, com a dita “morte acidental” de Teori Zavaschi, ao que nos parece, sente-se hoje forte, soberana e acima de qualquer outro poder: mostra-se como aquela que Deu a reposta a todos àqueles que pensavam e ainda pensam em levar a chamada operação lava-jato até o fim.
Se você tem dúvidas, pense no tenebroso fato de que, dias após o enterro do magistrado, o presidente Michel Temer, sob pressão da máfia política a qual faz parte, aproveitando-se da fraqueza do STF, nomeou Moreira Franco, mais um investigado na operação Lava-jato, como ministro, dando-lhe o chamado foro privilegiado.
III
Outro fato que merece a nossa reflexão é a chamada crise financeira pela qual vem sendo dito há meses estar passando o Estado do Rio de Janeiro, solicitando ajuda ao governo federal.
Na verdade, o que talvez poucos saibam, é que a máfia política é capitalista, isto é, só inventa doenças as quais já diz ter o remédio para a cura.
O que se quer dizer é que, como nos mostra a história das privatizações, não somente no Brasil, não existe nem nunca existiu crise no governo do Estado do Rio de Janeiro: não no tamanho daquela alardeada pelas mídias prostitutas. O que existiu foi corrupção, como ainda continua havendo.
A dita crise do Rio de Janeiro foi inventada, exclusivamente, por meio de atrasos nos pagamentos dos servidores, e também por meio do não repasse de verbas para a saúde e a educação, visando-se, assim, única e exclusivamente, colocar o povo a favor da privatização da CEDAE, empresa estadual de fornecimento de água, e que, como se sabe – em meio aos problemas hídricos e energéticos pelos quais vem passando o mundo – vale tanto quanto a PETROBRAS. Ou seja, água e petróleo são tidos hoje como ouros mundiais. Vários grupos de empresários brasileiros e estrangeiros estão há tempos de olho nessas estatais.
Enfim, voltando-se ao caso Teori, a máfia política, em pleno alvorecer do séc. XXI, mesmo em face da atenção da opinião pública global, desde o estouro dos casos de corrupção e da questionada e dita antidemocrática assunção à presidência de Michel Temer em lugar de Dilma Rousseff, sem qualquer aparente temor:
1-   Colocou, como mais uma das tantas vezes na história da política brasileira, as asas de fora. Isto é:

2-   Mostrou ao mundo as atrocidades de que é capaz e de que, como não deixa mentir a própria história, ao que também se subentende, orgulha-se de ser.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

MISÉRIA DA PEDAGOGIA - PARA ALÉM DAS PEDAGOGIAS LIBERAIS E PROGRESSISTAS

DIREITA, ESQUERDA, PROMISCUIDADE POLÍTICA E EDUCAÇÃO - INTRODUÇÃO À MISÉRIA DA PEDAGOGIA

I
Não se pode, hoje, no Brasil, mais falar da existência de uma divisão radical entre modelos políticos de Esquerda e de Direita, por uma simples razão: ambas as principais ideologias (PT e PSDB) estão corrompidas em suas essências políticas.
Caso se tenha alguma dúvida, pense-se sobre o fato de que, hoje, quase nenhum candidato dito de Direita (não somente em nosso país) ousaria ter um discurso e/ou uma prática política radical em sua direção, assim como também não teriam os ditos de Esquerda, com raras exceções (como o PSTU e PC do B, etc.).
Ou seja, na mesma medida em que os governos de Direita privatizam Estatais, reduzem o Estado a mínimo e deixam agir livremente os mecanismos de mercado, criam também - no lugar de políticas públicas - medidas assistenciais paliativas e/ou, num outro viés, estimulam à sociedade a se organizar, mediante o fomento à criação de ONGs, Organizações religiosas, etc., para poderem cuidar dos ditos excluídos sociais que o próprio capitalismo fabrica.
No que se refere aos muitos governos ditos de Esquerda, não somente o PT, o processo, de forma inversa, tem sido quase o mesmo: na mesma proporção em que se criam políticas públicas; na mesma proporção em que se ampliam os investimentos em educação e/ou que se ampliam as instituições de ensino ditas públicas, na outra, paradoxalmente, também fomenta-se o desenvolvimento e a sistematização dos princípios e valores capitalistas, não somente por meio do incentivo ao consumo, transformando o cidadão num consumidor, mas também por meio das políticas de transformação de proletários em empreendedores, como hoje tem ocorrido no Brasil.
Essas distorções e/ou promiscuidades ideológicas, embora também não saibam muitos, por mais absurdo e surreal que possa-nos parecer – dizem alguns analistas - fazem parte do atual jogo político não somente nacional, mas também global.
Alguns disparates, todavia, impossíveis de se entender nos governos ditos de Esquerda aqui no Brasil, precisam ser discutidos. Por exemplo, existem várias universidades públicas que, hoje, não passam de incubadoras de empresas ou organizações capitalistas transnacionais. Além disso, tornaram-se comercializadoras sistemáticas de diplomas de cursos de pós-graduação.
Pergunta-se: Como pode uma instituição que se diz federal e/ou estadual (públicas), como a UFRJ e tantas outras, cobrar cerca de 15.000 (QUINZE MIL DÓLARES) por um único dito curso de Mestrado profissional, os chamados MBAs? Isso sem falarmos também nos cursos de especialização que, na maioria das mesmas, também são pagos.
II
No que se refere especificamente à questão educacional, penso que, o problema mais grave, hoje, não está somente na questão da volta aos processos de privatização, sejam estes com a redução de investimentos públicos no setor, sejam com novos fomentos à proliferação de novas universidades privadas, mas, também, na transformação - via processos de socialização - dos valores capitalistas, além de conteúdo-ético de Estado, também em conteúdo-ético-pedagógico das instituições de ensino.
O que talvez muitos que se dizem de Esquerda ainda não saibam é, que, hoje, o capitalismo, diferentemente dos tempos de Marx, antes mesmo de criar produtos ou serviços para serem comercializados, cria primeiro os seus respectivos públicos-consumidores.
Nesse país, como em quase todos do chamado terceiro mundo, materialmente e/ou estruturalmente falando, o número de pessoas ditas pobres, proletárias, excluídas sociais, são muito maiores que as dos ditos donos dos meios de produção da produção social material da existência. Todavia, se pensarmos por meio do ponto de vista superestrutural, por meio do que se refere aos princípios e valores, ou seja, se invertemos o conceito de sociedade civil como o fez Gramsci, especificamente no caso do Brasil, veremos que o número de pessoas que, apesar de excluídas sociais (proletárias), pensam e/ou agem como capitalistas são muito maiores.
A validade inconteste dessa premissa está no fato de que, se ela fosse pífia, em vésperas da eleição presidencial de 2014, o povo brasileiro não teria ficado tão divido entre eleger governantes do PSDB, que são de Direita (neoliberais), e os do PT, que se dizem de Esquerda, ou seja, dos trabalhadores.
Verdade seja dita: o governo do PT, ao fomentar e incentivar o empreendedorismo entre os proletários, visando, por esta via, diminuir as estatísticas de desemprego e, na mesma medida, vendendo aos pobres a ilusão de alcance da inclusão social por meio da transformação de proletários em microempresários, deu um tiro no próprio pé; se autossabotou; isto é, cortou e/ou tem cortado as asas da própria utopia Marxista na América Latina.
III
Diante dessa realidade e cenário ultrajante de promiscuidade ideológica e política, torna-se imprescindível repensar os modelos ditos de educação que até hoje tem-se tido no Brasil, ao que já perguntamos:
“A educação tem cumprido de fato o seu papel de contribuir para a construção dos processos de humanização e superação humanas (tanto no sentido singular quanto enquanto espécie) ou, num outro trágico e catastrófico viés, apenas sistematicamente servido como égide para formar e/ou formatar sujeitos, em diferentes espaços-tempo, nas doutrinas Liberais (formação e/ou formatação de mão de obra barata para ser explorada por capitalistas) ou Marxistas (formação e/ou formatação, por meio das pedagogias progressistas, de indivíduos potencialmente revolucionários, ou seja, ditos de Esquerda, preparados para resistirem aos valores do capital)?”
Certamente que a resposta é a segunda. A pedagogia, hoje, concebida pragmaticamente como “ciência da educação”; concebida como uma espécie de mecanismo sistemático civilizador (tanto no sentido da preservação quanto no da mudança de status quo), foi e continua sendo utilizada como objeto e/ou mecanismo de controle e dominação, isto é, frise-se: utilizada como uma ferramenta política (tanto para ideólogos ditos de Direita quanto de Esquerda), nos processos sistemáticos e assistemáticos de manipulação e/ou cooptação das massas (chamados de educativos).
Questionaremos e discutiremos, nesse livro, esse caráter trágico que historicamente tem sido dado à pedagogia (MISÉRIA DA PEDAGOGIA) e, partir daí, traremos à luz as nossas proposições sobre educação, ou seja, o que pensamos e propomos sobre a função social do professor e das instituições educativas no presente alvorecer do séc. XXI.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Os Diferentes, Feios e/ou Belos Exclusivos

I

Os diferentes são aqueles que, nas sociedades capitalistas pós-modernas – e são a grande maioria –, estão fora dos padrões ditatoriais estéticos do que a política de consumo da Indústria Cultural sistematiza como sendo ditos padrões universais de beleza.

Eles, esses diferentes, são os homens e/ou mulheres reais, concretos (a), diferentes dos (a) da ficção.

Diferente, nesse sentido, não é, de fato, quem, ou aquele que, por um motivo e/ou vontade deliberada qualquer, pretenda sê-lo ou sê-la: 
1- Ser diferente é ser o que se é, enquanto ente singular; 
2- Ser diferente é ser um feio, belo e/ou um lindo único, exclusivo, fora dos padrões estéticos capitalistas universais e/ou globais de beleza impostos pela indústria de consumo do capitalismo.
Isto é, frise-se:

"Aquele que pretende ser diferente, feio e/ou "belo exclusivo", é apenas o imitador de um ser diferente, de um feio e/ou de um belo exclusivo, mas, nunca, de fato, um ser diferente, feio e/ou belo exclusivo."

Diferente, feio e/ou belo exclusivo, é todo aquele que, ainda que inconsciente sobre a sua diferença, feiura e/ou beleza exclusiva, contribui, de alguma forma, para que o espaço-tempo onde ele supostamente esteja alocado, enquanto corpo dito estranho: 
1- Não perca o seu potencial enriquecedor; 
2- Não perca a possibilidade de poder ser vislumbrado por outro ângulo, por outra maneira ou modo de ver; 
3- Não perca a possibilidade de poder ser tomado, enquanto interação social, por um espaço-tempo de diálogos, como forma de se abominar a violência, entre todos os diferentes nele alocados; 
4- Não perca a capacidade de, por ser um espaço-tempo de coexistência, promover-se essa mesma interação; 
5- Não perca a capacidade de se tolerar os outros diferentes, feios e/ou belos exclusivos que nesse mesmo espaço supostamente estejam.

Pensa-se aqui que:

"Só onde (no espaço-tempo) existem seres humanos diferentes, feios e/ou belos exclusivos, o amor verdadeiro pode surgir, permanecer e se tornar o valor supremo de afirmação da vida."

Os diferentes, feios e/ou belos exclusivos estão todos aí: 
1- Os altos demais; 
2- Os pequenos ao extremo; 
3- Os belos diferentes; 
4- Os belos maltrapilhos; 
5- Os com narizes muito finos; 
6- Os com narizes muito largos;
7- Os com narizes normais onde reinam narizes grandes ou pequenos; 
8- Os magros; 
9- Os gordos; 
10- Os sem cabelo; 
11- Os com cabeleiras; 
12- Os muito bem vestidos; 
13- Os vestidos de farrapos; 
14- Os tímidos; 
15- Os extrovertidos; 
16- Os trabalhadores; 
17- Os sonhadores; 
18- Os esperançosos; 
19- Os realistas; 
20- Os que amam e não são amados; 
21- Os que são amados e não amam; 
22- Os que gostam de cantar; 
23- Os que preferem ouvir; 
24- Os que vivem para trabalhar;
25- Os que trabalham para viver e etc.

Como já antes dito, mas que aqui ainda faz-se necessário redizer, diferente de fato não é quem, nem tampouco aquele que, movido por um objetivo ou desejo qualquer, pretende ou pretenda sê-lo. Isto é, frise-se:

"Aquele que pretende ser diferente é apenas o imitador de um ser diferente, mas nunca um ser diferente de fato." (Artur da távola)


II - CONCLUSÕES


Existem muitas formas de desumanização e, uma delas, talvez a mais crucial, seja aquela que está sistematizada no desrespeito às diferenças, na medida em que esse desrespeito - no sentido micro - leva o indivíduo para longe da sua capacidade de coexistir e, consequentemente, para longe da possibilidade de aprendizagem, crescimento e desenvolvimento pessoal; no sentido macro, leva a sociedade para xenofobismos, nacionalismos exacerbados, genocidismos, biocidismos, apartheids, exclusão socioeconômica e para formas unilaterais e ortodoxas de ver o mundo, culminando em guerras, conflitos armados, ódio e posições políticas e/ou religiosas radicais.

Todavia, não se pode e não se deve perder a esperança, ainda que, para muitos, ela, a busca pelo respeito às diferenças soe apenas como sendo mais uma grande utopia. Ou seja, é preciso que ainda se acredite que o homem pode qualitativamente transformar-se. É preciso que se acredite que, como nos diria Nietzsche, "o homem pode e precisa ser superado".



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* Esse artigo é parte integrante do livro "A ARTE DE COEXISTIR: RESPEITO ÀS DIFERENÇAS" à venda pela livraria cultura.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A CONDIÇÃO HUMANA DESUMANA


(A5, 320 P.) - Segundo Karl Marx , “para que o homem possa ser capaz de transformar (a sociedade ou a sua condição sócio-existencial) é preciso, antes, que ele seja capaz de transformar-se”.
Nesse sentido, para poder transformar-se é preciso também poder pensar e, sendo assim, pensar significa “libertar-se das ideologias que - embrutecendo o pensamento - fazem com que os homens deixem de ser seres racionais, “homo sapiens” e/ou homo intelectos, e se transmutem em “homo faber” e/ou animais irracionais, existindo apenas como técnicos e/ou especialistas do saber, alienados para a compreensão simultânea das partes e do todo, culminados num estado de “animalização” e/ou de uma “condição humana sócio-existencial inumana, desumana e/ou inautêntica.”
Em outras palavras, para poderem transformar, os homens precisam se libertar de uma “condição humana inumana e/ou desumana”, há séculos sistematizada, motivada pelos valores Cartesianos, Positivistas, Pragmáticos, construídos estes por meio de símbolos, formas particularistas de inserção social, especializadas de aprendizagem e de inserção no mundo do trabalho, mediante o avanço das ciências, atreladas estas ao desenvolvimento do capitalismo, com suas revoluções industriais.
Outra dimensão desse processo de irracionalidade instituída e/ou sistematizada como um valor social nas sociedades capitalistas ocidentais contemporâneas, está, também, dada aquela que é diretamente causada e fomentada pela “Indústria Cultural”, onde, por meio dela e para ela, são construídos e mantidos os chamados:
1- “Espectadores médios”;
2- “Leitores médios”;
3- Indivíduos intelectualmente medianos e/ou medíocres, aos quais são atribuídas também:
4- Certas “capacidades mentais médias”, numa espécie de sistematização, fora e dentro das próprias instituições “educativas” ideológicas de Estado, sintetizadas numa espécie de “pedagogia da mediocridade”.
A intrínseca relação entre esses dois processos de irracionalidades sistematizados nessas sociedades capitalistas ocidentais pós-modernas, pode ser entendida como um mecanismo de “inversão dos processos de captação e/ou apreensão da realidade” pelos sujeitos, nela transformados em objetos, onde o inteligível, através da exigência de interiorização e, numa outra via, de exteriorização, como respostas a fragmentados conceitos simbólicos no campo visual, ficam reduzidos aos estados humanos de:
1- Copiar e reproduzir;
2- Aprender somente pensamentos e não de aprender a pensar.
Ou seja, aqui se postula que, frise-se:
“Se o “homo sapiens” se diferencia dos outros animais ditos inferiores porque possui a capacidade de “evoluir do sensível para o inteligível”, nessas sociedades, ao contrário, eles estão colocados como:
1- Seres irracionais;
2- Simbólicos;
3- Limitados a apreenderem a realidade de forma fragmentada e/ou fragmentária, por meio da exigência social de respostas:
4- Aos estímulos visuais e culturais, enquanto consumidores de produtos culturais, também de forma fragmentada e/ou fragmentária.
Esses fatos talvez expliquem porque as sociedades ocidentais capitalistas contemporâneas estejam sempre mudando, através dos seus processos de “modernização e/ou industrialização” (obsolescência programada) sem, necessariamente, nesses mesmos processos, de fato, significativamente e/ou estruturalmente também mudarem, uma vez que, nelas, os seres sociais são transformados, por meio de várias instâncias institucionais, como a fábrica, a escola, etc., em seres irracionais.
Ou seja, esses processos de “mudanças imutáveis”, nessas sociedades, tornam-se visíveis quando se constata, por exemplo, que, mesmo após séculos e/ou décadas de injustiças sociais:
1- As desigualdades sociais, no Brasil, na África e na América latina, desde os períodos ditos pós-coloniais, só tem aumentado apesar dos ditos desenvolvimentos econômicos, culturais e industriais;
2- O acesso a uma educação pública, gratuita e de qualidade, nesses países, há séculos e décadas continuam sendo uma grande utopia, assim como a efetiva vontade popular nas decisões políticas, ainda que se tenha incorporado, via Estado, as idéias do sufrágio universal.
Ou seja, embora nessas sociedades, como dizem os capitalistas, tenha-se alcançado, por meio dos seres sociais, um maior acesso as ditas novas tecnologias, na mesma medida, elas, essas mesmas tecnologias, têm (já que são criadas visando-se entreter e “facilitar a vida humana”, satisfazendo as ditas “vontades” humanas) embrutecido os homens, tornando-os seres “dependentes”, visuais, irracionais, na medida em que, por meio do abuso do uso delas, fora ou dentro das fábricas ou das escolas, elas têm também abortado, castrado e/ou minimizado as suas capacidades de pensar.

NIETZSCHE PARA PROFESSORES - BOOK TRAILER

domingo, 12 de outubro de 2014

SEGREDOS DA SUPERAÇÃO


"É PRECISO QUE SEJAMOS NÓS MESMOS; MAS NUNCA OS MESMOS SEMPRE;
É PRECISO QUE APRENDAMOS COM OS OUTROS, MAS QUE NÃO QUEIRAMOS, NESSE MESMO PROCESSO, SERMOS CÓPIAS... DE NINGUÉM. FRISE-SE: HOJE MELHOR DO QUE ONTEM... E AMANHÃ MELHOR DO QUE HOJE..."

PARADOXOS DO MUNDO PÓS-MODERNO




OS MISERÁVEIS QUEREM ​​ PARECER RICOS;

OS NUNCA LEMBRADOS - INESQUECÍVEIS, MITOS;
OS DERROTADOS QUEREM PARECER VENCEDORES;
OS MALÉFICOS - BENFEITORES;
AS ILUSÕES - VERDADEIROS AMORES...

OS INFELIZES QUEREM GERAR RISOS;
OS FALSOS E FINGIDOS - CONFIANÇA;
OS INVEJOSOS - COMUNHÃO;
OS MEDROSOS - SEGURANÇA;
OS ROUBADORES - JUSTIÇA SOCIAL...

OS FAMINTOS QUEREM PARECER RICOS;
AS MÃES ABORTIVAS - MARIAS;
OS IRMÃOS CAIM E ABEL - SINFONIAS;
OS FRACASSADOS - BEM SUCEDIDOS;
AS SERPENTES - SEM VENENO E SEM DENTES;
OS QUE SÃO MENOS - MAIS...



AUTOR: CLEBERSON EDUARDO DA COSTA

POEMA POLÍTICO APOLÍTICO


CERTOS DE QUE O ATO DE IMPONDERAR...

CONDUZIRIA-OS À UMA VIDA PLENA,

PLANA, PRÓSPERA E DITA FELIZ...

LATROCINARAM, DEGUSTARAM...

FARTARAM-SE... DE TUDO O QUE,

MESMO NÃO SENDO DONOS, POSSUÍAM...

CONSUMINDO NÃO SÓ AS SEMENTES,

MAS TAMBÉM OS FRUTOS...



CERTOS DE QUE ESSE GENOCÍDIO...

DEVERIA SER HIPERCULTIVADO,

POTENCIALIZARAM A TÉCNICA,

SISTEMATIZARAM O MAL,

PETRIFICARAM O PENSAMENTO,

LEGALIZARAM A COVARDIA,

INDUSTRIALIZARAM O ENGANO,

VENDERAM ILUSÕES,

FRANQUEARAM-NAS AOS NEO-ESCRAVOCRATAS,

MULTIPLICARAM AS FALCATRUAS...



ENFIM, FIZERAM DO ÓCIO ANTIÉTICO E IMORAL...
 
UM ESTADO DE MAL-ESTAR SOCIAL:

TRANSFORMARAM-SE EM POLÍTICOS.





AUTOR: CLEBERSON EDUARDO DA COSTA.